18 de novembro de 2008

Fios a claroescuro

À sombra da tua alma,
luzes clarividentes
negavam e afirmavam
o dúplice sentido,
o monosandalismo iniciático
e o ritmo astral dos sonhos
reiterados a claroescuro deus.
E abriam-se céus
em céus abertos prévios,
e a pele desfiava
verbo eterno em fins.
Como desgranava
som o som das alvas
e como nascia o medo
no eden dos ocos,
no loto puro,
desde as longas montanhas
às chairas intensas,
ao mar sem mar prendido...
E nascia o mundo
simples do pecado,
pecar em ti e em mim,
pecar com braços altos
e fugir cachoeira
de ternuras e pranto,
por nem ferir os tempos,
por nem curar o espanto
e ser sem ser de sonhos,
na sombra de um recanto.

4 comentários:

Corpos que Soñan disse...

Estou escrevendo sobre un que aparece cunha só sandalia: un elixido dos deuses. Acreditas?
Beixo

soantes disse...

Mais um grande poema, que nos deixa sem palavras, só a senti-lo. A sandália do pecador deixou a sua marca na poeira do caminho e a amante sozinha olha para aquelas linhas descobrindo, triste e meiga, o infinito.
Não é nada disto. É só um grande poema. Mesmo.

Iolanda Aldrei disse...

Acredito, Ricardo... Como nao vou acreditar? Nao achei contigo tanta casualidade como encontro.
Um beijo
Iolanda

Iolanda Aldrei disse...

Olá Francisco desde as Áfricas. Chegam ecos. Apenas reflecto... É mais bem o proceso receptor, meu amigo. Sabes ler entre linhas o que está e o que ocupa.
Um abraço galego... (sabes que outro dia lembrei e falei de que lembrava as tuas saudades na apresentaçao da Nova Águia em Compostela?)
Iolanda