24 de abril de 2009

Enfiar

Enfiam as ondas e as marés vida e aromas,
o sal do teu tacto na lembrança.
Bebo Pony Malta e renasces
no odor que deixaras sob a lua
na última alga da rocha última.
E as palavras que também arraigam
nas pradarias subaquáticas da memória
me revoltam tempo já da idade,
e todos és tu e tu es todos
arraigada a água nesta carne.

23 de abril de 2009

Aura

De puro branco para ti,
de doces violetas
auras novas
e o braço de luz,
olhos astrais
estrelas todas,
cor com som de cor,
fonte de amores.

22 de abril de 2009

Texturas

Uma textura de ser invade o corpo
e deixa longe o alento,
a alvorada,
e caminha com a luz que a dor emana
e se perde entre as fibras do silêncio
com o tempo de amar
futuro certo.

21 de abril de 2009

O útero de Gaia

O desejo de nascer e a renascida fartura
que a ti chegue e de ti os sonhos sejam
ilha nova e verso em riso
e amor sem lágrima,
olhar ao vento
e o romance de mundos de além-mar
com este mundo,
final e início do mais puro
sentir e oco em Gaia,
seio nosso.

19 de abril de 2009

Anjos

Ascendem e brilham e cantam os espíritos,
ascéticos os sonhos acordam com a sua voz
e o tempo deixa o tempo
sem dor nem etiquetas
com carícia de olhares e a força interior
de curva e riso e beijo e mais tremor.
Apenas os anjos podem compreender
e pensar-nos de terra sob a haima entreaberta
e cruzar os templos desta comunhão
e tornar a noite das ilhas eternas
noite nova e velha
a fluír do nós.

18 de abril de 2009

Verticalidades

Ascensões para o nada,
onde rompem as janelas
e morro porque nem morro
e nunca saltam as penas
e a água nem chega ali
e desce se vem com presa
e faltam as terras puras
sob os tactos e as marés
para ir e vir
na mesma onda
horizontal
que sei de ti
com a mesma dor dos cristais desabitado e as terras queimadas por exército e os homens desamados com tanto amor e silêncios que trastornam os sonhos e tornam destempo otempo de morrer.

17 de abril de 2009

Genebra do Castro a beira-mar

Os círculos chamaram em nós terra
de liberdade nova
e o silêncio onda concêntrica do som
e ainda vivemos e nos diziamos Genebra
a amar dilemas e pensar
de espada e dias na torre de Avalon,
e da magia do druida
em outras noites,
na casa do castro, a beira-mar.

16 de abril de 2009

Caminho descalça sobre as águas.
também quero desatar e ser desatada,
também, meu profeta de ascéticos galaicos
e fecunda luz sobre as trevas.

Espelham os tempos dias puros
e se abraçam longas caminhadas
com paragens de incenso,
leite e uvas,
para partilhar também
na terra pura.

15 de abril de 2009

Mushotoku

Se tinha, deixar de ter.
Se era, seguir a ser...
sob a montanha,
no abraço de Han Shan,
na pele da árvore,
entre as ervas,
no ágape vegetal
que estava em nós.

13 de abril de 2009

Fumos velhos


Foram longos os tempos de lareira

e lume velho de ano em primavera,

os tempos de pé ao pé do lar,

quando a noitinha me dizia rumo

e sorria o som de namorar

na inexistência de mim

que desejava longas asas

e lenço de pintar

ou as palavras de fumo

que extinguiam exorcismos tristes

e queimavam incenso para ser

nave de noitinhas, ninha de rula,

árvore nova na horta da memória

que sempre acendia o caminho do Sul.

12 de abril de 2009

Amarelo

É o longo leito em cor, solar quarto antes do sol
e calor de rosto em mim,
a chave da saudade até Morrigan.
Como o amor é o tempo dos abraços,
conformados de pele e de consolo,
a lágrima guardada
na caixinha de um menino amarelo
é o instante de brincar
em pura luz de maná.
Amarelo alvorear.

11 de abril de 2009

Lavrar

Início escultura em verbo
e a vida renasce do poema.
Martelo o ritmo e reitero o som em ti,
poque o cinzel retorna trás o golpe
e as ruas de cinza e terra à vista
e as casas sem casa ainda moram
em terra de Bacatá,
em muitas terras,
e no espírito medram heras
e ao vento o canto encanta
danças de morar.
Lavrar o verso uma outra vez
e tornar-te em pararalelo
e fonosimbolimos
ao mar molecular,
ao abraço de elementos
múltiplos,
sozinhos,
em comum.

10 de abril de 2009

Adiante

Sempre adiante como os rios,
como os rios até o mar.

9 de abril de 2009

Crise

Em tempos que dizem de escassez e mal agouro,
chega som de ruína e voz de liberdade,
e sei da cor erguida destes tempos de crise,
volta ao lar e lar à volta do almoço e o abraço
da hera nos retornos,
da luz nos muros baixos.
Chora o último plástico no leito da gaveta
e imos demonstrar que o dinheiro
é um sono.
Medram as figueiras e o amor permanece:
riqueza são colheita, também terra e palavra.

8 de abril de 2009

Estar

Venho do Sul e do Leste,
sou do Norte e do Oeste
e nem estou
mais que à beira
do rio
e a janela,
por saber,
novamente.
onde vou.

7 de abril de 2009

Um presente violeta

http://janeladamoura.blogspot.com/2009/04/o-selo-violeta-de-flores-tenras.html
"O Selo Violeta representa as sensações que a cor violeta traz para a nossa mente. Este prêmio é dado aos blogs que têm algumas das sensações da cor violeta. São algumas delas: magia, encantamento, graciosidade, magnetismo... e tudo aquilo que parece mágico".

Vontades

E deixo fluir e nem eu deixo,
nem sou quem diz
e parto em parte,
como quem tem no peito
vontade de universo,
como quem gira errante
porque o vento o assalte.

6 de abril de 2009

http://janeladamoura.blogspot.com/2009/04/eu-escrevia-num-blogue-bilingue.html

Glamour


E se eu fosse feita de glamour
e me vestisse em cor-de-rosa
a transparentar a lingerie preta
sob a seda selvagem
e tingisse os cabelos de loiro platino
ou ruivo ocaso de verão
e ainda calçasse sapatos de taco alto
até o céu de Babel
e saísse à rua com colar de pérolas
e ritmo de vinil
e corpo em modo contornado
na tarde de silêncios
e praça maior,
e nunca mais falasse de infinitos
e fosse finita no manar
e nunca mais ficasse namorada
e fosse itinerante como o lar
e deixasse rasto de perfume
e óculos de sol no teu olhar,
então, velho gato das fisterras,
sairias outra noite à janela
e revoltarias as esperas
para apenas e so mais um miar?
http://janeladamoura.blogspot.com/2009/04/mina.html

5 de abril de 2009

http://incomunidade.blogspot.com/2009/03/medo-liberdade.html

Praga


Tornas-te polífago de mim

e não basta a lembrança,

ser passado.

Voltas, como praga aos meus cultivos,

deixas sem luz a minha casa,

arruinas meus sonhos de ternura

para bricar, menino, em tempos de água

e chover inseto, canto ao canto,

no amor de apenas verde e primavera,

que chega em Abril,

que foge em Maio.

4 de abril de 2009

http://janeladamoura.blogspot.com/2009/04/sobre-as-sombras-sala-yago-em.html
http://janeladamoura.blogspot.com/2009/04/mulheres.html

Espinhas

Se deixo as espinhas dobrar é porque o teu riso
me abre com chave palavra e silêncios,
e me fecha os olhos com abraço aberto
e me dize amor e sinto que é verdade.

Se deixo as espinhas dobrar é porque me entornas
e me tornas de rios e flores e beijos,
porque me perdoas cada tarde os tempos
que tenho por mim e por mim mesma habito.

Se deixo as espinhas dobrar é porque os teus braços
me abarcam e tangem os silêncios,
porque já começas a falar no leito
nesse ritmo cálido de amores humildes.

Se deixo as espinhas dobrar é porque a morada
respira esperança, esforço e alento,
porque canta o galo memórias de vento
e nasço na ilha novo tempo errante.

Se deixo as espinhas dobrar é porque és de mundo
e não quero perder, nem dizer que tenho,
mas cada tardinha se tende o universo
e os corpos são casa dos deuses sem templo
e dançamos logo em sonhos abertos
e em mim descansas, rostos e latejos.

3 de abril de 2009

Renascer

Por liberar tecidos e libertar palavras
em ocasos novos que nunca ar tiveram,
por ensinar as fibras e os encontros
e retomar as rotas proibidas
e por amar, apenas por amar,
deixar espora e fruto e paz tendida
ao sol até que sequem e perdurem
e morram e renasçam e revivam
de luz, de ar, de passos, de esperança,
de Deus proverá em nova calma
e de olhar no olhar, rosto de flores,
mão na mão e som no ritmo
da poesia pura e a alma clara
porque voltar é um sonho mais
nas cores.

2 de abril de 2009

A Janela da Moura. Um convite

http://janeladamoura.blogspot.com/

Tempo Abril

Volta Abril.
Tempo certo de florir a Terra,
tempo certo das águas mil,
tempo certo do sol voltado,
mas tu não voltas se volta Abril.
Os ciclos seguem mundos concretos,
o verbo abstracto transmuta o eterno
e tu não voltas se volta Abril,
mas ficas sempre, sonho a florir...

1 de abril de 2009

Espectros

A noite em Compostela fecha as portas dos vivos
e deixa espectros livres e nos libera espectros
quando dormem as lojas e chora o último sino
e os passos ecoam na luz desabrigada.
Posso sonhar os rostos dos fantasmas que passam,
ou o amor perdido que procuram nas ruas,
posso pensar nos nomes e as histórias que portam
e transformar as almas para aninhar nas sombras.