6 de Maio de 2011

Tempo de mar


Água vegetal
prendida em sonhos,
sentir de Maio limpo
a navegar.
Sobre a areia,
uma poça.
Sobre a vida,
oceanos novos
por sulcar.

Chegam saudades
de revolta,
vozes de terra
por cantar,
braços no sonho
e alvoradas
de praia bravia
por pisar.

Um banquete de povo
tem palavra
nos olhares puros
junto ao lar.


14 de Agosto de 2010

Tecedeira

Descem os caminhos versos tenros
e volteam silêncios na palavra,
para que o eco sempre seja eco
e a distância não tenha distância,
nem sonhos reiterem sobre a palma
entranha ao ar e areia em leito.

13 de Agosto de 2010

Luz

No tempo vertical,
a inexistência da sem-revolta
achega aos corpos esferas de ternura
e as Perseidas beijam espíritos de luz.
Nas florestas apreendem
os códices vegetais
ruturas leves
e passos para o sonho
das formigas azuis
na terra noite
do último recanto antes do mar.

12 de Agosto de 2010

Harmonias de luz


Em tarefa de amor canto silêncios,
retorno ervas, terra pura
cor calcárea,
laberíntica presença
desde sonhos infinitos,
quartos espirituais e mitos,
longas tardes de mar
e seiva ao vento.

12 de Junho de 2010

Na terra do milho

Era mansa às vezes. Só às vezes.

Queria, na tua pele, estremecer os sonhos

e depois caminhar sonámbula,

sem esperança sempre,

a dançar nos silêncios que me deixem,

pairar nas sozinhas primaveras,

em tempos impossíveis como a árvore,

a deixar raízes na sem-língua

e navegar em cada boca

enquanto canto

o sabor cereal da tua espera.

16 de Abril de 2010

Se calhar era bom chorar,
pensar se há ou nao fronteiras,
olhar no tempo onda,
dor aberta,
reiterar leitos sem passado
e futuros sem leito,
quase amar,
quase ceibar raiba
e caminhar noites laberínticas
sobre os tacos mais altos que já achei
no teu papel de actor sem um cenário,
no teu papel de autor sem quarto ao Sul,
sem para-sol,
em telefonemas de puro baobab,
em revoltos correios por fechar,
despintadas as roupas a este vento.
Volto com o ritmo dos silêncios,
ao bravo metal da tua voz.

15 de Abril de 2010

Os desejos sao casas de nao ser,
sonhos nao sonhados,
des-esforços,
ternuras de fe des-necessárias
na voz de um sorriso em pele e lua.
Entao moro o tempo de existir,
passos e olhares, vento ao vento,
e o prazer de um universo
por ter verso,
e o prazer oral do tempo
por ter verbo
e língua e amor e um sem-silêncio
... ser.

11 de Abril de 2010

Rua do Tempo ao Sol

Duvido entre a pegada e o infinito,
na algibeira quadernos a escrever,
e uma volta a dias de silêncio,
nos cantinhos, palavras sem dizer,
e música na rua,
e som no tempo,
e sonhos neste quarto
e Abril ao sol,
no brilho da erva
os meus segredos,
nas noites o teu leito sem odor.

13 de Março de 2010

Perder-se na gaiola

longe de egos

e aguardar que o tempo abra

as portas para viver...

até...

12 de Março de 2010

Distancio em tempo chave de falar
e calo as palavras da gaiola,
ponho-lhe barreiras a este mar,
aguardo o instante porque chegue
o tempo que nem sei se vai chegar
e deixo num espelho nuvem rota
enquanto abro o teu olhar
no envelope dos sonhos,
reitero os morses de ternura
pisca-pisca de beijos a voar.