22 de Novembro de 2009

Voltei ao Magdalena.

No barco dançam sons e falam aves

a este céu de violinos.

Os arcos elevam setas e notas.

Desde a proa escrevo canto de manati

e assim os ensonhos se alimentam

de cartas dormidas e de amores

que aguardam rio em que ficar.

21 de Novembro de 2009

Sobre a terra

Deixo a pele sobre a terra,
cozinho humus.
Aguardo trigo de inverno,
lume velho,
ninho frio
e olhares de ave
para ser.

19 de Novembro de 2009

Aos pés

Em lençol plástico o silêncio de pegada que aguarda,
violentadas sombras de cantiga em falanges de parada
e amores que nem sabem de um nome,
mas caminham ao Leste
onde entornam o sonho e redimem
porque sempre é melhor chegar
que aguardar a que me beijes
se tiver em mim um ser
e imagens que se perdem,
o som oco das palavras,
matéria obscura,
nestas almas
até
que os passos sejam tarde
junto ao mar.

Água na Lua




17 de Novembro de 2009


16 de Novembro de 2009

Místicas e esperas foram vossas
ao pé de sonhos que partiam
em dois a noite
e me diziam
de amores tantos como habitam
no meu quarto mínimo,
entre rios,
na sombra das hortas subconscientes
e da dor.
Agora, nesta casa de mil cores
chamam vozes vossas
e confundo
as ternuras profundas
com lamentos,
os risos abertos,
com agulhas,
e as noites de tacto
com os dias fechados
até chegar ao corpo
e à alma
e amar a pares
na estadia,
no lábio adolescente,
no amante de bambú.

11 de Novembro de 2009

Na moda dos tempos de ensonhar

Entre portas fechadas e quartos escondidos
guardam-se os fatinhos que a menina perdeu
e as modas novas e os dias trajados
de cores intermitentes e de montras cansadas.
Perdo chaves, gavetas, nego até os guarda-roupas
e sobre a pele espero uma pinga de som,
vestida com a chuva dos versos e as carícias
passeio pelos mundos do ensonho que passou .

8 de Novembro de 2009

Demiurgo

Descem a chorar os espíritos da noite
pelo caminho que marcaras desde o Leste,
uma vez acordado pelo vodka aquele dom
e sei que choram de alegria.
É estranha a mim a vida,
é já fala em jornadas de agoiros,
meigas pretas,
e vigílias de amor
em que a ternura sobrepassa o prazer
e fala alto com outro nome,
quando me abraçam peles de ébano
e me deixam marcas
de luz e sombra
e a saudade é de nós.
Mas a música ainda ecoa e diz de dias,
confundidas as notas nesse mundo
real das ideias em que habito,
o amor de filósofos perdidos
com odor de cavernas
povoadas pela menta mais verde
que nascera em campos
de velho resplendor.

7 de Novembro de 2009

Dormir... talvez sonhar

Era o tempo da vida a fugir o sonho lento
que tornava neve o corpo
e violentava os dias de ternura,
voltava a nós as asas
e queria ser um tecto,
viver, dormir... talvez sonhar.

6 de Novembro de 2009

Da saudade

Passou o tempo de perder
e o tempo de sonhar ficou
no cesto pequenino dos cogumelos
entre cores minúsculas
de ser no sutil campo,
das últimas rosas em outono.
Perdidas as essências de um amor
fica o amor puro
e as saudades nascem da vida que prosegue,
enquanto voam lembranças
e as células dos mais puros espíritos
no corpo renascem a prazer.
Achegam-se as carícias das terras,
a língua destas vozes que me falam,
o espaço onírico do som
e o canto de um nós que se tornou
manancial de versos
e silêncio,
no lume do lar
luz e calor.