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30 de novembro de 2008
Fadas

fios de prata na noite sem som.
Foi jogo em tempo, cauda de cometa,
fada que revolta, fada que voltou.
Ainda foi ontem casa do silêncio,
desejo de esperas e dor já sem dor,
ainda foi ontem saudade de luas,
cantos de sereia, dança sem senhor,
e voltam as tardes desta primavera
a nascer do frio que nem frio é
e as fadas retornam na aurora ao seu ninho,
magia que trazem, sonho que medrou
e digo saudades e aguardo campos tristes,
pontes de esperança, desejos de mar
e enquanto não chegam pisco um olho à fada,
beijo cada beijo, tomo cada lar
e rio no riso e choro na lágrima:
fluido, caminho, rio para o mar.
29 de novembro de 2008
Cor de terra, chocolate
28 de novembro de 2008
Arnoia

como as pontes voltam e ascendem sobre a vida,
longe de ti, tempo de oblíquos,
tempo de rios em remanso e frio em flor.
Explodem os micélios em ternuras,
tanto amor na cortiça, a substância que entrega,
tanto amor desde a fibra, a substância que aguarda
tanto amor.
27 de novembro de 2008
Recital
Mirâc- Oração


aos espíritos dos anjos e as fadas,
aos donos da palavra que chegou do ar,
ah , mártires que somos cada dia,
o meu cavelo ainda cheira a mar,
as nove ondas me arrastaram,
as nove ondas me livraram,
em nove ondas nove mortes,
nove vezes afoguei,
rebelei meu espírito
ao lume sem ar.
Sobre a areia recomeçam sonhos
e lágrimas de sal,
fora o tempo do chá de canela,
o tempo de iniciar,
a ânsia única
de mãos nas mãos,
irmãos.
26 de novembro de 2008
Mirâc - Leitura
25 de novembro de 2008
Solo
24 de novembro de 2008
23 de novembro de 2008
Mundo em mundo

Torno a tua pele pele minha e revolto história e som
numa carícia, meu amigo de paixão e dança errante,
quando te amo sinto pangeas pequeninas a estourar
e amo as áfricas prendidas na cor dos teus abraços,
as américas presentes no ritmo das histórias,
as europas que portam caminhos de ida e volta,
e sei que somos mundo, união de mundo em sim,
e que injustos tempos marcaram a migração das aves,
que escravo de escravos te fundara,
que labrega de relha me criara,
para que libertemos a redenção dos sonhos em carícias
e rendo em culto ao canto original este cultivo
de gozo e leito tenro, fluir de primavera no cabelo,
à união primeira, antes da chegada dos captores,
antes da injustiça dos bancários,
de que inventassem o capital e guardassem as palavras,
quando voltamos a ser, homem, mulher,
cor de umas cores, pele universal de tantas peles,
simbiose de um nós,
mundo em amigo,
transitório sino da pedra
antes da catedral,
floresta de passo pelo cosmos,
passeio em ti a homenagem
do que tenta mulher branca
com razão e fica na memória das gondwanas,
por revoltar oceano e coração.
22 de novembro de 2008
Circus

amigo de Irlanda em Compostela,
como a noite torna errante e amanhece em leito novo,
como viajam os tempos pelo tempo e mudam ocos
e o caminho é o circo deste ser, rio-ser, pele ao vento,
mundo de abraços,
livre mundo que doe de estar sozinho
e sozinho mundo é como os países pequenos
e as liberdades grandes das lupárias hoje,
luz sem luz a transitar.
21 de novembro de 2008
A voz do Pedro a cantar silêncios
No Çopyright de Célso Álvarez Cáccamo
http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait/sr090.htm
http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait/sr090.htm
Espelhos e almas. Com Omar Calvache, com Juan Carlos Zamora.
Foto: Juan Carlos Zamora
No espelho a imagem das almas e o tempo,
os silêncios novos, os versos velhos
e outros nós... no espelho,
em três linhas de memória
desce a areia aos copos
e volta a terra das saudades
como as naves da névoa,
na beira eterna dos olhares,
na sala da dança a encantar.
É logo que nasce o vento
e as perguntas de lágrima e abraço,
partem noites a ilhas lentas
e as guitarras acendem novo mar.
20 de novembro de 2008
Amanita-me
19 de novembro de 2008
Pali - bhava
Tornou-se devenir, sempre se torna,
e a espera morreu como não morrem
e voltam as histórias reescritas
no Livro da Vida
e foi o tempo de ti, tempo de tempos,
dor, dor e mesmo medo,
o tempo do pecado consentido...
mas as noites da luz a claroescuro,
mas da luz clara e a verdade plena,
o tempo revolto das revoltas,
o renascer do mito numa imagem,
a palavra livre, a liberada,
o tempo da deusa feita carne,
a imagem nascida e a dor mesma...
a fera, o lobo, a loba plena...
e não doe já e digo amor e não tem nome
e não se oculta nome algum
e nascem nomes...
ocupas, não estás, negas meu tempo,
o dia de sonhar, a noite a pleno,
París, Terra de Lagos, Sul do Verso...
e fica espaço aberto,
já não há cervo...
e volto ao simples corpo do desejo.
Tenho caixa de prata e o retrato de um demo,
sou meiga, sei... conheço meigo...
e a espera morreu como não morrem
e voltam as histórias reescritas
no Livro da Vida
e foi o tempo de ti, tempo de tempos,
dor, dor e mesmo medo,
o tempo do pecado consentido...
mas as noites da luz a claroescuro,
mas da luz clara e a verdade plena,
o tempo revolto das revoltas,
o renascer do mito numa imagem,
a palavra livre, a liberada,
o tempo da deusa feita carne,
a imagem nascida e a dor mesma...
a fera, o lobo, a loba plena...
e não doe já e digo amor e não tem nome
e não se oculta nome algum
e nascem nomes...
ocupas, não estás, negas meu tempo,
o dia de sonhar, a noite a pleno,
París, Terra de Lagos, Sul do Verso...
e fica espaço aberto,
já não há cervo...
e volto ao simples corpo do desejo.
Tenho caixa de prata e o retrato de um demo,
sou meiga, sei... conheço meigo...
18 de novembro de 2008
Fios a claroescuro

luzes clarividentes
negavam e afirmavam
o dúplice sentido,
o monosandalismo iniciático
e o ritmo astral dos sonhos
reiterados a claroescuro deus.
E abriam-se céus
em céus abertos prévios,
e a pele desfiava
verbo eterno em fins.
Como desgranava
som o som das alvas
e como nascia o medo
no eden dos ocos,
no loto puro,
desde as longas montanhas
às chairas intensas,
ao mar sem mar prendido...
E nascia o mundo
simples do pecado,
pecar em ti e em mim,
pecar com braços altos
e fugir cachoeira
de ternuras e pranto,
por nem ferir os tempos,
por nem curar o espanto
e ser sem ser de sonhos,
na sombra de um recanto.
17 de novembro de 2008
Desce verso em linha-luz

Desce luz em linha luz. Escrevo sonhos.
Pegadas na areia das pegadas.
Ao longe o mar.
O céu-caneta neste céu.
Ficam as sombras assombradas
e deixa o passo novo passo
e a lembrança e a saudade
ar em rosto por viver.
Meu amigo, tenho água,
meu amigo, vento tenho,
meu amigo, desde as ondas...
meu amigo, tenho luz.
16 de novembro de 2008
Risos sempre. Para Afonso
e sorriso em caramelo,
melindre de abraços,
bem em palavra de cor
e canto de corpo enteiro
e teatro em faz tingida
e reverso em eco tenro,
sohos que semeam sonhos,
alegria em carta ao vento...
fadas e duendes e bruxas,
como canta a primavera...
Arco-íris, meu amigo,
onde está a tua floresta?
Baldaio em flor
e chegam os sonhos a cavalo
sobre a areia,
a cavalo branco,
e amigo despido, cavaleiro
de sentir
e o silêncio
em ritual de cascos
a partir
de perto o mar e o vento perto,
meu amigo das ondas,
velhas danças, meu amigo,
amar teu sonho em mar,
vencer o frio,
e o volume da água tornar brio.
Deixo mesmo a idade
e fica o abismo.
Ama a minha pele, sem amar-me.
Perde-te em olhares, sem perder-me
e cria coxas vegetais
na floresta de sonhos que habitamos,
na humanidade desta gota cálida,
da chuva animal,
do som contido,
dos tentos liberados
até o ágape...
Ah, minhas ternuras mágicas!
As terras partilhadas,
veia errante
da odisseia cósmica,
dos lábios,
da longa, longa cópula
eterna,
infinita
efecto borboleta,
libelinha de sonhos..
em tempo de mar,
remar, amigo...
e vou namorada...
15 de novembro de 2008
Segundo tempo de moluscos

Tardes sobre a rocha, odor a sal e apego sem apego,
instante etéreo, perdura no silêncio cada verbo
e o teu verbo na rocha a a ecoar
o ocaso dos moluscos... a hora de Vénus,
o calor astral do verso
e a companhia instintiva de um parceiro,
deixar o rio nos teus dedos navegar,
fluir, Oxum, lume aquático, novo encontro
a reencontrar, a ler no eco de algum beijo
ida e volta de líquido fomento,
ria de molusco e rocha-mãe.
14 de novembro de 2008
Amigos velhos
Guiar o tempo e os tamanhos da tarde e os afectos,
marcar territórios, sonho, eternos do dia a dia,
vagar cidades, pedra, cores, os desejos de ser
sem ser desejo
e a longa amizade peregrina de caminhantes velhos
e vida que se torna terra em muitas terras
e, sempre, espelho em cada espelho.
Vou com a bagagem tenra, casa longa nas costas
e nos versos
e procuro um monte onde acampar,
olhar em olhar,
quiçá um chá,
paz no cantar...
morna carícia que era rasto na pele
e na memória,
na memória, amigo,
junto ao lume da sala e da cozinha,
o odor a calor combustor do espírito
e ascende incenso até um céu
de som sereno.
13 de novembro de 2008
TristiaS
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de beijo a flor de luz e de luz só de luas,
carícias com sabor a fe e a chocolate
e guerras velhas que foram sempre novas,
as guerras e os lamentos...
e nós
e as sombras velhas
que sempre nascem novas,
as pedras e as sombras...
E voltam rostos e leis até as palavras,
nem estados grandes,
nem esposos,
nem dias,
até noites e terras pequenas de asteroide
e mãos que estremecem
o tacto da ardentia
e lábios que perdera
e alvas já sem lua
e os segredos
que ficam e ecoam
e pessam entre a dúvida
e o medo da dor
e a dor sobre a rua.
Tempo de madeira
que chove nas memórias
e volta ao café
com saudade e com rugas.
12 de novembro de 2008
O Livro de Enoc
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Deixo o tempo a caminhar e perco todos os desejos
no branco e preto,
que me leve um anjo
ou que me deixe um demo...
enquanto os sorrisos e as cores
se escreveram no Livro de Enoc
e o amor se castigara com amor...
Descem os tempos bandeiras
e os sonhos esquecem corpo
na maré.
Perde-se entre os dedos
até o eu.
11 de novembro de 2008
Blowin in the Wind...
How many times must a man look up
before he can see the sky?
Bob Dylan
Como cheiram o oceano e o vento
que fala com palavras de força a beira-mar,
meu barco errante,
meu poema sempre lento,
odor ainda a sonhar sonho de eternos
com tempos por bandeira
e nesta nave sal.
Desde as rochas sagradas
a saudade se torna
caminho das tuas asas
e um canto a chorar,
recanto de sereia,
onda verde que aguardo
enquando voa o vento
e abro abraço à espera,
sempre a olhar estrelas
e no sol a lembrar.
Amarei as lembranças
quando se esqueça o brilho,
e as saudades mais doces,
serão chuva no mar...
Meu amigo, que amava...
amores sobre o ar...
10 de novembro de 2008
Inversões
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o ritual valor do ouro, lágrimas e sorrisos, fados de coração
e um fato inverso sem o tempo eterno e sem o som
e a tristeza toda de ser menina e não saber,
actriz de dia, dançarina, foto em cor, fora da cor,
daltónica de sonhos e o amor de jogar feliz vida
com cartas sacerdotais... sob o véu...
rapariga de rua abandonada, pecado no pecado,
papel no seu papel e silêncio fino,
de rio baixo e olhar a olhar
e o abraço com braço formal,
aliança em madeira,
carpinteiro de seda,
valses a valsar...
so queria dançar...
8 de novembro de 2008
Raiz em pedra
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e no devir os ocasos têm pegada de ser
e a linha do tempo é marcada
pela sombra própria
e fazem saber...
Eu costurava as redes em portos de passado,
nem levava roupa nem calçado,
apenas o corpo a esbarrar sobre a cor
e o escuro a brilhar entre o tremor.
Sabia beijar os peixes novos
e tornar grandes os ocos na rede,
liberar onda em pena e sal
e ser a espera de golfinhos,
magia na tardinha,
casa do último pescador
olhar e alento
a perguntar por ti,
pelos silêncios,
incompreender as pescas milagrosas
que chegavam vazias de sentir.
Sim, descosia redes, desredava...
e fiquei apanhada por partir.
Mas os pés têm raiz e os peixes voam,
as luzes livres são assim...
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