31 de agosto de 2008
Onde habitam os rios salgados...
Cenários
29 de agosto de 2008
Fonte Sequelo
28 de agosto de 2008
27 de agosto de 2008
Ausências III
26 de agosto de 2008
Risos (com Alexandre)
Contraluz
25 de agosto de 2008
Rédeas

Linhas de equilíbrio e resplendor.
A imagem da beleza em desafio,
o abismo sereno no trapézio,
a rédea sem rédea e o balanço a contraluz
no instante da fé.
Uma entrega de alma que negue eternamente o coração,
e comungue nos poros dos sonhos
com o tempo de lume e sol-pôr
com carne feita verbo
com ritmo desentranhado
naquele som de sombra em tanta luz.
24 de agosto de 2008
Poeta

Quando digo que és uma borboleta,
Tão linda como uma floreta,
Como uma borboleta a apanhar néctar,
Num campo tão formoso como uma rosa,
Num rosto sem nenhum mal.
E agora chega o final,
Com uma despedida fatal.
Iara, 9 anos (23-VIII-2008)
Escreve-me os teus versos de chocolate.
O teu sorriso é o meu campo de eterno semear.
Sabes? Soou o sino da Berenguela.
Eu estava ali, passou o tempo,
quando ergueram a sua língua
e Compostela teve voz grande
em espera do teu regresso
desde a esfera dos anjos,
mensageira nos céus,
mensageira na terra,
minha poeta.
Ai, fica tão pouco colo
e quero-te acarinhar,
enquanto medra o teu verbo novo
e chega o tempo de acordar
auras extensas que abarquem sonhos,
ninhos de fadas e flor de paz.
Poisson sur la nuit

Imagino sinfonias de longo caminhar.
Há um caderno e um lápis
sobre o banco de pedra:
Imagino escada de água fina a borbotar,
e nasce o som.
Passa a troupe da noite
antes do último sino
e o seu olhar redime da tenra solidão.
Alguém se achega e eu sempre sorrio
"merci" diz, ai amigo, e tu sabes quem sou?.
O último dos saltimbancos ve que estou a fumar,
"tens para mim um cigarro?"
ofereço ainda outro,
a esta hora não sobra
um pouco de ilusão,
"e... queres que te acenda?"
-"Ui, dito assim,
acende-me, mulher"
De flores no caderno,
adeus homem que passa,
aqui vou-te pintar
num verso longo e azul.
"Ficas listo?",
"Algo bobo, mas dá para viver"
À noite do meu leito só chega o cabaret.
Definitivamente o anthropos é um ser gregário:
grandes grupos e pares e a minha solidão...
Que lugar ocupo na noite em Compostela?
Oferece-se bachata ou salsa por dançar.
A pele deste agosto
tem estrelas sozinhas.
Não posso dormir sempre,
não posso sonhar mais.
Há luzes de anjo,
mas sinto pedra e frio,
olhos de menina
que acendeu um farol
e abriu uma era
na janela do sou.
É tempo e sombras
no blues do oceano,
ninguém chamou hoje à rua coração.
23 de agosto de 2008
Revelação

22 de agosto de 2008
Quintana de vida

21 de agosto de 2008
Tempo de Anjos. Oratório azul.

Bios orphikós

Para Antón Avilés de Taramancos, in memoriam.
Saúdo o espírito do Cauca venturoso,
o espírito de Noalba Timbacoi,
e com o som do Negrito del Batei
deito a tarde da ria,
a tarde da palma e o castanheiro
e brindo por vos, Ulisses de duas terras,
desde este chão de pedra,
esta meia luz na que sempre
resplandeciam os tempos de Santiago de Cali
e brindo pelas poupanças do mestre de balcão
que nasciam no celme de Compostela
com o mesmo brilho no olhar que teve Antón,
com os mesmos sonhos de estirpe derramada
entre as vegetações novas,
entre os imaginários do achado maravilhoso
e as saudades da lembrança reflectida,
intenso reflexo dalgum mar.
20 de agosto de 2008
Tempos de moluscos

sensual vento frio de corpo a beira-mar,
as partículas intensas de luz que flui,
o calor, o som vermelho do calor,
a textura dos ventos e o sabor vegetal do sonho.
O sabor universal da água viva ondeia no brilho,
na pele, na entranha mesma,
na cosmogonia própria dos paraísos estendidos no prazer.
Voltou o desejo e a lembrança intensa do gozo,
a inocência alegre dos corpos livres,
os intensos aromas transgressores.
Voltou o éden primeiro com a paz.
19 de agosto de 2008
Intensidades
18 de agosto de 2008
17 de agosto de 2008
Ausências II

Acreditava nas princesas,
nas detectives de Charlie
e, desde logo, em Heidi,
nos pastos altos e no vale,
quando fui com minha avó rua acima,
até o leiteiro de Maienfeld,
o que vendia o leite de Copinho de Neve,
e ele me deu um caramelo
macio como o teu sentir.
Eu abria o meu doce ante ti,
como quem abre o coração.
Estavas na porta, perto,
muito perto da casa de Palmira
e eu olhava o sorriso grande do leiteiro
desde a sua porta ainda
e noutra porta tu
e a minha avó a falar e falar.
Sim, Palmira era boa mulher,
dizia Mama Cármen,
e o leiteiro tinha rosto de pão,
e Charlie Townsend me enviara;
eu era Sabrina Duncan, the smart angel,
-a minha Nancy na mão, Jill Munroe,
e eu partilhávamos missão-
e tu semelhavas príncipe perdido,
de incógnito, e tinhas um ar com Pedro,
que sempre me encantou.
Por isso olhava firme,
por isso não deixei de olhar,
era eu a enviada,
para te restituir o trono
e beijar.
Sabia do segredo do teu reino,
num ocaso a beira-mar.
16 de agosto de 2008
Ausências I
15 de agosto de 2008
Templo

É a tarde longa de Iemajá,
a força tranquila do poder:
submergir, voltar, sentir, viver.
O único poder é a vaga,
que envolve, afoga e deixa ar.
O único poder é o sol,
que entrega o calor da beira-mar.
O único poder está no vento,
que deixa o tempo de sonhar.
O único poder está na areia
que sustenta o passo horizontal.
O único poder é o templo
da luz da tarde num olhar.
14 de agosto de 2008
O Galo
13 de agosto de 2008
12 de agosto de 2008
Tanta cor

Tanta cor como amanhece, tanta cor.
Aguardam os tapetes kurdos sob a pele e a palavra,
a guitarra que ficou
e um anjo a beira-mar,
sempre a beira-mar
lega odor das terras de Pasto,
ao Cauca abençoado
com a história de um piano e um amor
de heroinas livres.
Cada dia chega uma carta nova,
chegará. As cartas de um último tarô.
Chove fora,
mas na haima
resplandece um ténue sol.
11 de agosto de 2008
Janelas

10 de agosto de 2008
Milagre
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Desejava voltar uma manhã
e achar o teu sepulcro derrotado,
lamber a terra escura que povoara o teu corpo,
acarinhar os lábios com lábios feitos sol,
cheirar cada fragmento de humidade
na procura de fontes subterrâneas,
escutar o crepitar da tua pele a reviver
e deixar a lousa levantada,
chegar com tanta luz como chegava
até cada recanto da paixão.
9 de agosto de 2008
O talismã

um peixe de prata pequenino
navega na fonte de Compostela
na procura longa de amuletos,
o lápis crucier, a figa,
o dom das pétalas de orvalho
no rosto da esperança que ficou.
Sopra o vento do sul
e as pingas são salgadas
sobre Eros, ah Eros o colérico,
regato de inverno no verão.
Deixa que te diga menos e melhor,
que sejam os olhares e o tempo
mais profundos,
que se cumpram os sonhos
que falavam de amor
e que as portas do ágape
não estejam fechadas,
enquanto o anjo calma
aura e resplendor.
Lembras, sim, o tempo
dos doces terramotos?
Sacudiam a vida
entre beijos e paz...
Ficou o tempo triste
de uma derrota escura,
o instante das distâncias,
dos ecos da canção.
Ajeolho o silêncio,
procuro o som do oceano,
o talismã guardado
no fundo de um olhar
e chamo cada verso
com voz de borboleta,
porque sei do teu rosto,
da tua voz, da paz.
8 de agosto de 2008
Céus de Babilónia

aquelas noites longas de tremor,
de pele ao sol-pôr, a tecer pele,
de lábios como brasas,
de mãos como sorrisos
a encher mundos de água e mergulhar.
No crepúsculo vão-se alinhar Marte e Vénus,
o tempo e o mensageiro acompanharão.
Quero encontrar-te no céu que conhecemos,
meu guerreiro dos sonhos,
meu rei das noites tenras na constelação do leão ,
meu lobo de desejo azul,
meu tempo na praia de búzios carmesim,
meu lago de sal.
Cheiro a ti, às noites de Babilónia;
passaram tantos séculos e ainda estás em mim,
a tua sombra ocupa o sonho e a esperança,
enquanto busco a linha da nossa redenção.
7 de agosto de 2008
Em tempos de seca também sei
6 de agosto de 2008
Voz
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aqui se inicia o mar.
Da mão passam as vozes,
alguma voz de cana,
alguma voz de vento,
alguma voz de ria
e sempre a voz na pele,
a tua voz...
Há tanta fome no mundo,
tanta tristeza à deriva
que vibra nalgum oco
a mesma saudade
de tornar simples as páginas iniciais
e feliz o caminho na marca do sol
quase à tardinha na esplêndida solidão.
Passaram incêndios e batalhas.
Ficou a palavra a beira-mar,
tenderam pontes sem direito
e no universo que se devia amei,
amei e amo aquele rosto como um grial,
amei no corpo e amei no verbo,
bebi das fontes, naveguei no onda de Afrodite.
A força dos pulsos retrógrados
mediu-se com fartura já,
verificou-se o empate técnico,
remoinho na água, a dor na dor,
baldio no baldio, ermo no ermo,
ninguém venceu... nem mesmo o amor.
E ainda assim amo e desejo
e vejo peixes ainda a saltar
e lembro olhares de borboleta
e versos longos no paladar.
Sob o signo do leão

5 de agosto de 2008
O círculo

Fere a intensidade, a clarividência,
a oportunidade de ser e estar.
Achega-se o tempo de nascer,
a dor iniciática de poder
e afectam-me as ausências,
a larga solidão.
O trânsito do sonho ao saber,
da espera ao fazer, é um olhar.
Dá medo sentir e mesmo agir,
mas não posso voltar.
O dia vai abrir, viver, cantar
um longo passo,
agora é o instante só de amar.
4 de agosto de 2008
O caminho

A árvore da vida
3 de agosto de 2008
Leis de amor

cada dia foi uma revolta
por chegar a não ser
e os sonhos erguiam-se cansados
e o amor sofria sem querer.
Tudo por não dizer...
tudo por não dizer...
por não dizer que te quero,
e perguntar,
por não desvelar teus olhos
atrás de cada pinga cinética de orvalho
tudo por não ter dor...
A ausência, o vazio,
as faltas de ti,
são poderosas
e este é um tempo de estações.
2 de agosto de 2008
Flores

Tenho tantas mãos nas minhas,
tantos corações no coração,
tanta terra semeada de carícias
de saudades, de lenta conversão
a um nós forte e sem bandeira,
credo ou norma, som ou cor,
tanta riqueza funda, em peito,
abraço, sonho e mesmo dor
que a colheita é grande e proveitosa,
de frutos sazonados, folha e flor
e no almoço sempre como flores,
plenas de nomes e sabor.