1 de janeiro de 2009

El qerer es tanto beni


Afinal cruzar linhas, entre linhas,
amor a amores, pele a peles,
silêncios a palavras,
canto a barca que nos leve
e a água que detenha aquele fogo,
sem-sentido, Sião os teus destinos
não tinham o poder nem a aliança,
cego é quem matou, poder direito,
para além dos tempos e dos mares
quem foi escravo, quem foi lamento
e quer oceano sem sereia,
e quer dor, razão de armas e feras,
quando sabia do lar
do velho Salomão.
Ah, meu amor, que dizias carxas...
na muwassahat exclamavas
El qerer es tanto beni,
porque o amor é grande bem,
acarinhar a história das carícias,
deixar o fogo e prender linhas
de violetas tenras e sorriso
na ilha dos magos prometidos,
meu amigo...

2 comentários:

soantes disse...

Cada vez leio menos. Estou saturado de palavras. Mas enquanto vier aqui vou de certeza ler. E ver. As fotos estão cada vez mais surpreendentes e cheias de luz. Também gostei da imagem e do poema que puseste a seguir. Bom ano de 2009.

Iolanda Aldrei disse...

Ficamos saturados mais de mentiras que de palavras, mas fala-se, escreve-se tanto para mentir! Nós nem sabemos mentir e as imagens ainda menos sabem... Este poema é um chamado, lei no teu blog sobre estas mortes, sobre outras mortes, mas, afinal todas ficam a ser mentiras grandes... e lembrei o tempo de paz em que os filhos de Mafoma e os filhos de Javhé cantavam juntos ao amor. Que volte!
Um abraço grande e bom ano, boa vida. Muitas palavras, muitas imagens ante ti e tanta verdade, meu amigo.