7 de outubro de 2008

Meninos


Conservávamos o olhar cosido ao pôr-de-sol
e aguardávamos alvas sem querer,
em fim... éramos meninos
e já não tínhamos idade,
mas folgos sim
e o espírito quase triste da inocência
em nós.
Que longos os rumos sobre as nuvens,
os tempos que avançavam esperas
longe da rolda de canções!
Que longos corações de caminhada,
a sabedoria a brilhar na pele,
o riso na tarde mesmo a rir,
o pranto na noite de chorar
e a dor de acreditar
que era nossa, sim, a alva nossa!
Em fim...
Meu amigo da pedra em flor
e os dias encantados,
que triste ando,
ao som do amor
e arribo sozinha cada vez
à terra e à liberdade,
à casa,
à cozinha da casa,
à mesa da cozinha da casa,
ao prato da mesa da cozinha da casa,
ao pão...

6 de outubro de 2008

Nascer do rio

Da água, filha verde da água...
da saudade
e da lágrima
no tempo de outono
viver ainda
... no tempo de outono,
verdecer...

5 de outubro de 2008

http://es.youtube.com/watch?v=xSpGv_2Nw4o&eurl=http://olevantadordeminas.blogaliza.org/2008/10/03/iii-encontro-de-novos-escritores-aelg-24/
http://olevantadordeminas.blogaliza.org/2008/10/03/iii-encontro-de-novos-escritores-aelg-24/
http://www.anosaterra.org/nova/non-hai-xeracions-so-creadores-individuais-.html

Rio em Terra



Fotos Alexandre Brea



Foto: Iara Brea

É um rio em terra o bom sorriso das pessoas puras,
as que amam,
as que deixam água limpa onde passam,
amigos da eira e da Joana nos tempos de João,
e de Manueis, Maruxa e de Marcial,
e de Carmen e Raquel e Rafael,
nos tempos de José Luís e Margarida,
de Iara e Alexandre a cantar,
tecem tempo
e o sorriso criam,
perto, sempre perto,
ar de ar.

4 de outubro de 2008

Crise de luz iluminada

É o ponto de luz o instante-sonho,
o refúgio de vida que nos fez
e deu nos silêncios tom de auroras
onda de triste anoitecer.
Liberdade, palavra,
som de vento,
amor na entranha,
entranhável solidão,
cantiga de nuvem e loureiro,
madeira, como pedra
e dor de amor.

3 de outubro de 2008

Re-moinhos


Gira o tempo do reverso e volta atrás,
ao beijo e diz beijo,
ao mar e diz mar,
e com vontade eólica
ama mais...
ainda mais...

2 de outubro de 2008

Música de ti, ritmo de mar


Para Kiko

Com curvas de guitarra
e textura de saxofone
o mundo inteiro podia derramar
noites de longa adolescência
e perder-se nos faróis do tempo,
nos longos bosques,
nos carros de sonho a devorar.
Podia mesmo tingir de vermelho as peles
e fazer da música coração,
e do prazer sentido
e do tu e do eu um breve nós,
transitório como uma sinfonia de arte pop.
Voltamos aos caminhos velhos
de um novo yesterday,
com ecos de tomorrow e de today,
voltamos aos silêncios novos,
aos ritmos provocados cada volta,
depois de a orquestra rematar,
a tua orquestra, em fim...
no fim do mar...
quando chega a dança até o alvorar
e os beijos da pele ao dançar.

1 de outubro de 2008

... Tinham sexo os anjos...


Para Ana

De mãos e palavras dadas, a partilhar
somos as que estamos no agora e o aqui,
as coetâneas, as lutadoras,
as filhas de Gaia e do mudar de século,
as que nascemos no transbordo
do milénio desde a cruz.
Somos as amigas que vimos dançar,
as que for velida, como nós velidas
se amigo amar,
em cores novas nas cores férteis
do ser,
nas palavras de peles e canela, de neve, de ocre
e resplendor,
as mães do dia no que tudo mudou
e tudo volta ao ciclo de retomar.
As bailadoras da noite,
as irmãs.